sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

PETROLEO versus AMBIENTE

Hoje quando fui abastecer o meu carro á bomba de gasolina deparei-me com uma fila de carros fora do normal,talvez anunciando o alarme de um novo aumento dos combustíveis. Toda a gente queria abastecer numa sofridão absurda como se tratasse de abastecimento de comida nas vésperas de um Holocausto. Á minha frente na bicha abastecia-se de gasolina o estranho veiculo da fotografia supra. - Será que agora até os carrinhos de mão são gasolino-dependentes?!
Mais a diante,circulando pelas ruas de Lisboa encontro á minha frente o outro estranho veiculo da segunda fotografia supra. Será que agora até já está aberta a época da caça ao Pombo?!
Estas duas fotos e as consequentes interrogações acabadas de apresentar,levaram-me a pensar acerca deste grave problema do PETRÓLEO versus AMBIENTE,tecendo as seguintes novas questões:
- Onde é que irá acabar esta total dependência do Homem em relação á gasolina e demais combustíveis fosseis obtidos através da refinação do Petróleo? Será que continuaremos a ser dominados pelas ( Quatro Irmãs), "As Quatro maiores companhias Petroliforas do Mundo"que há quase um século tem dominado por completo a politica mundial,controlando o poder económico,derrubando governos,e promovendo guerras a seu belo prazer?
Quando é que daremos ouvidos aos arautos da desgraça, tais como o ex presidente Al Gore e membros insuspeitos da comunidade cientifica que á muito vêm alertando para a destruição do ambiente através do efeito de estufa provocado pela combustão desmedida dos ditos combustíveis fosseis?
- Como irão sobreviver as espécies em vias de istinção,como as baleias exterminadas indiferenciadamente pelos pescadores japoneses,os tigres da Malásia caçados por desporto os elefantes abatidos pelo marfim das suas presas,e tantos outros como o lince ibérico,este em vias de istinção,apenas por motivo da tradicional estupidez nacional? Como iremos fazer qualquer coisa para as proteger,se nem os pombos que animam as estátuas das nossas praças e jardins,estão a salvo de serem caçados como documenta a fotografia.
"ONDE?QUANDO?COMO?"
São perguntas para as quais não temos respostas apesar dos nossos filhos e netos as exigirem. É tempo de se fazer cumprir os acordos já assinados,como os de Quioto, e incentivar a assinatura de outros tantos mais abrangentes,como a protecção da Floresta Amazónica,(verdadeiro pulmão do Planeta),e acabar com o buraco de Ozono que está a provocar o degelo nos Pólos com a consequente subida das águas dos oceanos que inundarão grande parte das zonas costeiras baixas de todas as massas continentais!
"Onde? Quando? Como?"... NUNCA!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

TUDO TEM UM FIM! - Menos a salchicha que tem dois...

Depois da tristeza do assunto tratado ontem e do comentário apropriado de uma seguidora,apeteceu-me hoje fazer uma inversão de 180º e contar uma anedota, mas infelizmente não fui capaz e dos 180º derrapei para os 360º voltando ao inicio da tristeza.
A morte volta a ser o tema só que desta feita não mais a dos amigos já desaparecidos,em cuja lista por lapso omiti dois nomes que me são tão queridos,o do Raul Coimbra meu primeiro sócio, e o do Quim Cardigues dos tempos de Torre Molinos.
De repente dou por mim a pensar na minha própria morte. Uma vez que ela é inevitável não deixa de ser conveniente, passados os 60 anos,ganhar coragem para a enfrentar. Estranhamente esta morte não me entristece.Não a desejo mas também não a temo encaro-a como algo tão natural como o de apagar a luz quando se sai de casa.
Dediquei grande parte da minha vida a pesquisar a filosofia das religiões,nos mais variados credos desde o Budismo Oriental até ao Cristianismo da minha cultura, passando pelo Tauismo de Lau-tze e Confúcio. Se juntarmos a estes as outras duas grandes correntes do Monotaismo o Islão e o Judaísmo, verificamos que em todos os seus livros sagrados,quer se trate da Tora,Corão ou Novo Testamento todos falam de um único Deus, que apesar de ter vários nomes é a mesma Divindade que criou o Universo e o Homem á sua imagem e semelhança.
- Mas não terá sido o contrário?! - Não terá sido o Homem que criou Deus á sua imagem e semelhança,ao ver-se enclausurado na sua mediocricidade necessitando de uma Entidade Suprema que fosse responsável não só pelos seus erros e defeitos como também pelas suas decisões e responsabilidades futuras.
Disse Mário Máximo no seu brilhante prefácio com que me brindou no meu livro "A Divina Tragédia" : -"Quem é Deus? Quantos de nós são Deuses de outros? Quantos outros são Deuses de nós?...Sem Deus,ele,o Homem,sente-se mais Homem mas,sente-se também abandonado.Eu diria por si mesmo!Não por Deus..."
Quando se tem humildade de olhar de frente para si mesmo e reconhecer a infimidade de si próprio em alternativa á infinidade de um qualquer Deus, passam a fazer todo o sentido tanto o nascimento como a morte. Ainda no ventre materno mal acabamos de ser gerados iniciamos de imediato o processo de envelhecimento que no cumprimento do código genético do ADN nos leva incontornavelmente até á morte,que é o fim. Este fim para os místicos e crentes é apenas uma passagem. Para mim descrente racional é apenas um ponto final, como tal fácil de aceitar sem medo de uma qualquer vida eterna com as horríveis hipóteses de um eventual paraíso ou uma condenação eterna. Apenas o tal apagar de luz...
- TUDO TEM UM FIM!- Menos a salchicha que tem dois...

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

ESTOU TRISTE!


Estou muito triste! Hoje olhei frente a frente o fantasma da morte...Diante dos meus olhos surgiu-me a imagem de à mais de 10 anos da minha Mãe no leito da morte,cabelo grisalho e desalinhado,pele pálida a cobrir um rosto encavado onde apenas sobressai enormes olheiras de olhos inchados e um olhar de tristeza perdido no nada - Chorei!
No que diz respeito a afectos e à perca destes para a guerra da morte a vida foi madrasta para mim. Ao longo de 60 anos fui vendo partir uma a uma as pessoas de quem gostava e com quem fui capaz de construir profunda amizade.Umas foram levadas precocemente pelos horrores da guerra ou pela imprudência da juventude numa curva qualquer a uma estrada que não levava a lugar nenhum. Outros por doença súbita e inesperada que os apanhou sem qualquer pré- aviso,outros ainda os que padeceram de doença fatal prolongada no âmbito das patologias oncológicas que nunca perdoão. Por ultimo os meus próprios pais que morreram não sei bem de quê,pois a avançada idade já era razão suficiente para eu ter que me resignar a essa fatalidade.
Sempre lidei mal com estas percas,protegendo-me imediatamente num processo de negação que me levava a não me dar tempo para o luto,preferindo enganar-me a mim próprio como se nada tivesse acontecido.Tantas vezes entre os amigos vivos passam-se anos ou décadas em que nada sabemos uns dos outros pois as voltas da vida os projectava para um qualquer lugar perdido algures em lugar nenhum. Foi assim que lidei sempre com as minhas percas como se a qualquer momento o reencontro pudesse vir a acontecer ao virar de uma esquina num dia qualquer.Cheguei mesmo a levar este processo de negação a instâncias absurdas como no caso da minha Mãe,em que devido ao meu complexo de édipo eu (assassinei) toda a sua geração,criando por vezes situações absurdas de reencontrar passado anos amigas suas que á muito eu já considerava enterradas.
- Estou triste! Ou antes sinto a tristeza invadir o meu coração numa catarse final que faz desfilar diante de mim a multidão dos meus mortos. Invoco os seus nomes com respeito:
José Carlos Fonseca e seu alter ego Ulisses meu mestre e amigo; José Almeida Eusébio companheiro da juventude; Frederico Abecassis colega desde a primeira classe nos Maristas;José Sarmento dos tempos da Távola Redonda e das suas festas; Francisco Vinhais e José Amaral Pais da mesma época; Carlinhos Casal Ribeiro das loucuras em Lamego; Pedro Castelo Branco amigo de toda a vida; Por último, mas não forçosamente o último pois outros tantos haviam para acrescentar a esta lista macabra o recentemente desaparecido Bé Costa Quinta com quem tanto desbravei as noites de Lisboa...Estou tiste!!!!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Castanha Cáju

-Vocês sabem o que é uma castanha caju? - Claro que sabem! Pois na pior das hipóteses já comeram no meio dos outros aperitivos salgados, como as nozes,os amendoins e os pinhões.
O que vocês não sabem com certeza são as duas novidades que eu vou vos dar agora acerca desta pequena semente de forma original que se encontra no exterior e no topo do fruto do Cajueiro.
Primeiro: Se olharem bem para a primeira fotografia do bloco de imagens que vem a seguir,vão verificar que á uma castanha de caju gigante, do tamanho de um homem,com uma carinha sorridente e umas mãozinhas amorosas,que até apetece comer...Mas tirem dai o sentido pois ela é a minha mulher e eu não faço tensões de a compartilhar.
Segundo: Agora falando um pouco mais á séria, vou-vos falar do MAIOR CAJUEIRO DO MUNDO. Se olharem para as fotos seguintes vão ver uma imensa extensão de ramagem da copa de uma árvore que se encontra por detrás da minha mulher. De seguida vão ver-me a mim junto ao tronco principal e ramificações da referida árvore. Por incrível que pareça toda a ramagem fotografada do alto de uma plataforma de madeira construida de propósito para os visitantes,constitui a copa de uma única árvore que tem as dimensões de um campo de futebol. Poderão também verificar que o tronco se ramifica em centenas de troncos menores que se vergam ao seu próprio peso em direcção ao solo,donde renascem em outras tantas ramificações semelhantes,num emaranhado fantástico tal um gigante novelo de lã. Ao contrário do que possa parecer não se tratam de várias árvores,mas sim de uma única que por um estranho capricho da natureza cresceu ao longo de mais de um século desta forma bizarra.
- Mas o que é que a gente tem haver com isso? - Estarão vocês a protestar. - Nada! -Isto é só para vos chatear e por não me lembrar de mais nada para falar.
Voltando a falar outra vez á séria,quero compartilhar a primeira sensação que invadiu o meu espírito quando confrontado com tamanho fenómeno da natureza. Senti-me minúsculo face não só á dimensão como á beleza daquela árvore.
Deveria ser assim a Árvore da Vida do Jardim do Eden, cujo fruto proibido Eva deu a comer a Adão. Para a história passou a imagem de uma maçã, mas quem sabe se não era aquela mesma árvore e o fruto uma castanha caju como aquela que eu tenho o privilégio de dormir ao meu lado todas as noites.
-Abençoado PECADO ORIGINAL!!!

O maior Cajueiro do mundo
















segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

A saga do copo d'agua

Oi malta! Aqui estou eu outra vez conforme prometido terminadas as férias das férias no final do mês de Janeiro.- Mas hoje já é dia 2 de Fevereiro?! - Certamente questionarão vocês - O que aconteceu ao dia 1 ?
Têm toda a razão... o dia 1 foi realmente "apagado"da minha vida por culpa da"saga do copo d'agua".
O mal de passar férias em qualquer lugar é que no final temos que levar com o pincel da viagem de regresso. Por vezes esta viagem não é possivel fazê-la num único trajecto de avião, tendo que se fazer pelo menos uma escala num aeroporto numa qualquer outra cidade que nem sequer estava nos nossos planos iniciais, sobretudo quando se viaja por metade do preço numa companhia aerea como a TACV, que apesar de se arvorar como companhia aerea "de bandeira"daquele País ex colónia Portuguesa,só tem dois aviões de dimensão intercontinental. Um foi baptizado com o nome de IMIGRANTE e o outro com o original nome de B.LEZA.
Durante as nossas andanças aereas entre Lisboa e Brasil via Cabo Verde, acabamos por viajar em ambos os aviões e conhecer as suas tripulações. No regresso fomos confrontados com aquilo que eu acabei de chamar "a saga do copo d'agua".
Tudo começou quando chegamos a um desses aeroportos de escala para embarcarmos ao fim de duas horas no avião que nos levaria a Lisboa. O problema estava no avião que não estava lá. Espanto! O vôo fora cancelado por não ter passageiros suficientes e a companhia julgou-se no direito de o cancelar á ultima da hora sem sequer avisar os poucos passageiros que vinham de outras cidades para fazer a conexão com este. Mas á boa maneira tropical a companhia achou que bastava enviar estes passageiros para um hotel por sua conta em taxis especialmente fretados para o efeito e que os mesmos seriam obrigados a ali permanecer por 24 horas até ao vôo do dia seguinte que certamente já seria rentável pois acumularia os passageiros de ambos os vôos.- Que fazer?! Nada, para além de protestar de viva voz e aceitar conformado com a ausência de alternativas.
E foi assim que o dia 1 desapareceu da minha vida e deste blog,pois certamente não iria compartilhar com vocês os interminaveis minutos passados num hotel e numa cidade não escolhida por nós quando ansiavámos com o á muito programado regresso a Lisboa.
Finalmente o bagageiro bate á porta do quarto do hotel ,anunciando a chegada do táxi para o aeroporto e carregar as malas. No chek out solicitam-me a confirmar todas as despesas de alojamento e refeições para serem devidamente pagas pela companhia aerea. Confesso que a despesa não era nada pequena face aos preços daquela unidade hoteleira de 4 estrelas. Mas certamente ainda assim deveria ficar mais barata a companhia do que a despesa do combustivel do vôo cancelado,uma vez que ao todo não passavamos de uma dúzia de vitimas compulsivas. É então que acontece o primeiro acto da "saga do copo d'agua". Numa terra onde a água da torneira não pode ser bebida,sob pena de se contrair doenças tropicais como a colera e outras tais,não tivemos outra alternativa de beber durante aquele periodo água mineral que foi posta á nossa disposição sobe a forma de copos de plástico armeticamente fechados que se encontravam dentro do frigo bar do quarto. Por incrivel que possa parecer as ordens da companhia aerea que acabara de gastar uma pequena fortuna com a conta do hotel,obrigavam-nos a pagar os copos de água que fomos obrigados a beber. O preço não passava de um simbólico contra valor de € 3.00, mas mesmo assim eu recusei-me a pagar pois não aceitava ser obrigado a estar num cativeiro e ainda por cima ter que passar sede. Depois de muito discutir e de alguns telefonema para a TACV,que absurdamente reconfirmava as suas instruções de que não pagava a água bebida,lá tive que me render e pagar os famigerados €3.00, não sem antes exigir uma factura discriminada que me permite ter a devida prova para estar agora a escrever estas palavras.
O segundo acto desta saga acontece já dentro do avião ainda antes dele se fazer á pista. Tendo a minha mulher necessidade imperativa de tomar um comprimido á hora certa determinado pelo médico,solicitamos por três vezes ao pessoal de cabine,um copo de água,tendo cada um dos três garantido que o ia buscar imediatamente. O tempo passava,as torbinas roncavam e a água não chegava. Aflita a minha mulher levantou-se e dirigiu-se á chefe de cabine para solicitar incarecidamente o tão indespensavel copo de água,acabando por ser escurrassada para o lugar com a desculpa que não podia estar em pé enquanto o sinal de "apertar cintos" não se apaga-se.
Passei-me dos carretos! Levantei-me e com a minha voz forte e firme gritei exigindo um copo d'agua.- Milagre! O copo d'agua apareceu em dois segndos pela mão da ex arrogante chefe de cabine. O comprimido foi tomado,o avião começou a mover-se,as torbinas roncaram com mais força e fomos projetados para o ar.
Chegamos finalmente ao último acto da "saga do copo d'água". Antes do grito ninguém nos ouvia num desfilar frenético de arrogância emprestada pela autoridade dos uniformes,envergados por alguém que sem eles certamente é invisivel...Depois do grito foi um desfilar solicito de cortesias e desculpas...
Que tragédia! Trinta e três anos se passaram desde a independencia do jugo colonial. Bastou um copo de água e um grito para varrer três décadas de conquista da dignidade da pessoa humana. - SHIIM PATRÃO!!!!